Publicado em: 07/08/2026 14:51
Quem nunca ouviu falar “Meu Chapéu” - expressão de espanto ou indignação? Ou ainda: “Gaiota”, carrocinha de duas rodas, de tração manual, para transportar produtos da horta e da roça? Na “Gasosa”, refrigerante de limão (Gasosão de torneio)? E “Dianho” - pessoa ou coisa que incomoda e causa asco, repulsa? Essas são algumas das expressões que fazem parte do cotidiano de muitos concordienses agora reunidas em um dicionário que registra mais de 200 verbetes típicos da linguagem regional.
Escrita pelo jornalista, professor e assessor de imprensa, Eduardo Agostinho Comassetto, e ilustrado por Sofia Sena Comassetto, a obra busca preservar a memória linguística e cultural de Concórdia. “Importante destacar que o município de Concórdia está localizado numa região de colonização italiana e alemã bastante significativa. Essa situação teve grande influência no modo de falar das pessoas ao longo dos anos. Diante disso, muitos termos e expressões surgem dessa mistura de línguas e dialetos. E vários deles foram relacionados neste modesto trabalho”, destaca.
Descrever o significado de cada palavra foi o propósito do livro que trata de um recorte temporal, sem cunho científico, apenas para resgatar a manifestação cultural da região. “São palavras que fui anotando nos últimos 15 anos, que chamam atenção por serem peculiares de quem vive em Concórdia. Palavras como “Cair de Plancha” – tombo de barriga, cair de barriga no chão ou ao se jogar na água para nadar”, ou “Chimia” – Doce de fruta, geleia (origem: derivado do alemão “schmieren”), são comuns em nosso cotidiano e refletem a cultura dos italianos da região de Vêneto e alemães que aqui vivem”, acrescenta Comassetto.
Conforme o autor, a obra é fruto da vivência local, da sua pesquisa informal e observações e colaborações de pessoas de suas relações. São expressões que têm significados próprios e que fazem parte da característica do povo concordiense. “Em se tratando da língua falada não existe o certo ou o errado. Uma língua dita pelo seu povo muda, transforma-se, ganha a todo instante novidades, novos sons e grafias que desafiam a língua padrão. Nenhuma língua se escreve como se fala. Como ensina o professor Marcos Bagno, a língua que a pessoa traz de berço, que aprendeu com a família e com sua comunidade, é a língua que ela usa para falar consigo mesma, para pensar, para expressar seus sentimentos, suas crenças e suas emoções, faz parte da identidade dessa pessoa, é como se a língua fosse a pessoa mesma”, descreve.
O dicionário concordiense de verbetes e expressões deve ganhar uma segunda edição em breve. Quem quiser contribuir com a nova versão pode contactar o autor pelo e-mail: duca_25@hotmail.com. O exemplar físico do livro também pode ser adquirido na Livraria Doce Letra ou diretamente com o escritor.
Por Rosilene Fochesatto/OJ
Confira as matérias que foram destaque