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Mudança de clima exige atenção redobrada de quem tem asma

Publicado em: 21/08/2026 13:49

Pneumopediatra do Hospital São Francisco de Concórdia, Gabriela Spessatto explica por que as oscilações de temperatura podem favorecer crises respira

Mudança de clima exige atenção  redobrada de quem tem asma

As mudanças bruscas de temperatura, comuns nesta época do ano e, agravadas pelo fenômeno do El Niño, exigem atenção especial de crianças e adultos que convivem com doenças respiratórias, principalmente a asma. A alternância entre períodos de frio, calor, umidade e ar mais seco pode favorecer o surgimento ou a intensificação de sintomas como tosse, chiado no peito, falta de ar e sensação de aperto no tórax.

De acordo com a pneumopediatra do Hospital São Francisco de Concórdia, Gabriela Spessatto, as oscilações climáticas podem atuar como um gatilho para as crises de asma, especialmente em pessoas que já apresentam maior sensibilidade das vias aéreas. “Quando ocorre uma mudança importante de temperatura, principalmente do quente para o frio, as vias respiratórias podem ficar mais sensíveis. Em quem tem asma, isso pode desencadear uma inflamação e provocar sintomas respiratórios”, explica a médica.

Além da temperatura, outros fatores associados às mudanças de clima também merecem atenção. Ambientes fechados, pouca ventilação, poeira, mofo e maior circulação de vírus respiratórios podem contribuir para o agravamento dos quadros.

Atenção aos sinais

A especialista orienta que os familiares fiquem atentos aos primeiros sinais de uma crise. Tosse persistente, especialmente à noite ou durante atividades físicas, chiado, dificuldade para respirar e cansaço fora do habitual são sintomas que não devem ser ignorados. “É importante observar a criança. Se ela começa a apresentar dificuldade para respirar, respiração mais rápida, chiado ou demonstra esforço para conseguir respirar, é necessário procurar atendimento médico”, orienta Gabriela.

Outro ponto destacado é a importância de não interromper, por conta própria, o tratamento prescrito para a asma. O acompanhamento médico e o uso correto das medicações indicadas são fundamentais para manter a doença controlada e reduzir o risco de crises.

Prevenção no dia a dia

Algumas medidas simples podem ajudar a reduzir a exposição aos fatores que desencadeiam sintomas. Manter os ambientes arejados, evitar acúmulo de poeira e umidade, higienizar roupas de cama e cobertores e ficar atento à presença de mofo estão entre os cuidados recomendados.

Durante os períodos de frio, também é importante proteger-se adequadamente, principalmente ao sair de ambientes aquecidos para locais mais frios. A hidratação e a manutenção de uma rotina saudável também contribuem para o bem-estar respiratório.

Gabriela reforça, ainda, que cada paciente apresenta características próprias e diferentes fatores podem desencadear uma crise. Por isso, o acompanhamento regular com o pediatra ou especialista é essencial para identificar os gatilhos e estabelecer um plano adequado de tratamento. “As crises podem ser prevenidas quando a asma está bem controlada. Por isso, não devemos esperar a criança ter uma crise para procurar orientação. O acompanhamento e o tratamento contínuo fazem toda a diferença”, destaca a pediatra.

Com a chegada de períodos de maior instabilidade climática, a recomendação é redobrar os cuidados, observar os sintomas e procurar assistência médica diante de sinais de agravamento. Em crianças com histórico de crises, a atenção dos pais e responsáveis é ainda mais importante para identificar rapidamente qualquer alteração no padrão respiratório.

Por Rosilene Fochesatto/OJ